A arte de Sergio Ramos

TEIA CRONÓPIOS
Autora: G. Brahm

Estava escrevendo meu livro Caixa de Milagres, quando conversando com uma amiga do Rio Grande do Sul, ela me disse para entrar no site Cronopinhos para observarmos como os escritores estavam divulgando seus trabalhos.

Entrei e adorei o formato brincalhão e dinâmico do site. Eu tinha acabado de enviar meu livro para editoração e não tinha gostado da ilustração da capa. Não era bem o que eu esperava. Entrei então, na seção "Ilustradores' do site e fiquei absolutamente maravilhada com as ilustrações de Sérgio Ramos
http://www.cronopios.com.br/cronopinhos/portfolio.asp?id=110

Resolvi entrar em contato através do site com Sérgio e só depois fiquei sabendo que ele também era mineiro, de Viçosa. A internet tem dessas coisas, é capaz de aproximar quem está distante e conectar quem está na mesma energia.

Foi incrível nosso contato. Meu livro e projetos pareciam encaixar na arte de Sérgio como luva.
As recorrentes fantasias que se interpunham umas as outras em mosaicos coloridos formando figuras em estilo cubista prenderam minha atenção, fazendo-me ficar absorta olhando, horas a fio, o milagre da pintura de Sérgio Ramos.
Até hoje, não conheço pessoalmente Sérgio, mas sua alma vibra exatamente com o que sinto. Nosso contato é tranqüilo, dinâmico, profissional. Com apenas uma ou duas conversas acertamos os passos de nosso trabalho em conjunto.
Ele se tornou o meu ilustrador predileto e agora ficou difícil separar minha obra de sua arte. Tenho receio que o leitor reclame, caso não estejamos juntos nos projetos.
No momento, estamos trabalhando na ilustração de vários livros infantis: entre eles: Caixa de Milagres, Onça-Concha; As Mazelas de Lizbella, Óculos mágicos entre outros, além do meu próximo livro de poemas: Em Paralelo.
Mas o que mais me prende nesse contato é a liberdade de expressão, o pouco falar e o muito sentir e o jeito desencanado, perfeccionista e criativo de Sérgio. Além do mais eu tenho certeza que um portal se abriu. Sinto isso pela forma como as coisas acontecem depois que comecei a trabalhar em Caixa de Milagres. Um milagre se sucedeu a outro e muitos artistas se juntaram contribuindo seja com a música, seja com os ritmos, com os desenhos, as pinturas ou com a arte de contar estórias,cantar, compor, dramatizar e interpretar poemas, histórias e melodias; que acabou culmiando em um belo Projeto chamado: Arte e poesia pra gente!

Este projeto visa levar a arte e a poesia ao alcance de todos, tendo a poesia como a grande aglutinadora de outras artes que se chegam e compõe o grande mosaico artístico no universo que encanta as pessoas sensíveis.
Costumo dizer que se os olhos e os sentidos forem tocados, facilitamos nosso grande trabalho e quem sabe os milagres serão mesmo percebidos e multiplicados.
A internet neste sentido é nossa grande aliada!
Através de Sérgio vim a conhecer Pipol que gentilmente entrou em contato comigo, após e-mail que lhe enviei, parabenizando pelos sites Cronópios & Cronopinhos e pelos efeitos que nos proporcionou e tem nos proporcionado a cada dia, não só como meio de divulgação, mas como um espaço diferenciado e marcante; inteligente e brincalhão que aproxima quem acredita em boas companhias, arte e comunhão de espírito.

G. Brahm é pseudônimo da escritora Regina Carvalho.
Ela é também psicóloga e empresária. E-mail: evoluz.mg@terra.com.br

http://www.cronopios.com.br/cronopinhos/critico.asp?id=129

"Quando olho para a arte de Sérgio Ramos
Algo me parece muito familiar
Sinto um efeito hipnótico. Fico olhando, olhando,
olhando.... Passaria dias olhando sem me cansar!
Sinto algo indescritível, mágico, que me provoca um
certo encantamento, misterioso, delicioso...
Me remete a lugares, paisagens, lembranças de um
tempo que não mais voltará,
Mas que foi muito bom!
Originalidade, essência, simplicidade detalhada com
muita arte!
Um mosaico de boas sensações, gosto refinado,
cores que revelam tons marcantes e um mundo de
experimentações que ninguém deve perder!
Essa é arte de Sérgio Ramos, artista mineiro, "super
gente boa", super competente, que nos premia com
beleza rara, raros prazeres e uma ousadia discreta e leve
de quem sabe não só fazer arte, mas mexe com a vida
da Gente de forma intrigante e marcante!"

G. Brahm - (Escritora do livro: Caixa de Milagres -
ilustrado por Sergio Ramos)

"Suas pinturas e desenhos são metáforas de objetos do cotidiano que se compreendem, se refletem e se correspondem como em um diálogo. Circunstâncias organizadas por ícones como parte de uma tradução poética, formando uma coleção lúdica, onde brinca com os conceitos de tempo-espaço e gestalt, para ativar os arquétipos da memória. São reminiscências sem saudosismos. Alegorias de um mundo cuja essência não é meramente fictícia. Seu trabalho sugere uma nova interpretação desses objetos em uma atmosfera intimista, típica em suas obras, em tons quase oníricos. Traduzem o inconsciente coletivo através de imagens primordiais, fazendo referência ao nosso arquivo mental: as formas simples ilustram histórias onde todos já fomos protagonistas."

Denise Guidetti, jornalista, 2006.

"Não acredito que a técnica suplante o “conteúdo”, mas sei que para o mercado em geral, as pessoas leigas olham para o “fazer”...vc já deve ter escutado: Nossa que trabalho! Quanto tempo vc levou para fazer isso? Que vergonha...se vc tivesse levado 5 minutos, já é suficiente para mostrar seu conteúdo..O Ser-humano dá importância ao “tempo” gasto, e não ao que a peça quer dizer, quer explorar. De qualquer maneira gostei de seu trabalho..devo até dizer que encontro uma raíz Brasileira e uma alma internacional. As imagens que vi, mostram personagens Brasileiros em situações Brasileiras e costumes Brasileiros. Vejo tb uma junção cromática e formal que revela uma preocupação em mostrar um mundo conhecido por nós, simples e alegre. Sua arte é um Koan, Hamelins e Todos os Santos, nela encontro, además da técnica, uma procura de um mundo feliz e cheio de histórias para serem contadas. Pensei até arriscar que seu “mundo pictórico”, este mesmo das intercecções/junções de imagens, pudesse ganhar este formato tridimensional...

Alex Lipszyc
, diretor de marketuing da associação brasileira de designers de interiores, 2008

Arquitetura e pintura andam de mãos dadas nas telas de Sérgio Ramos

O artista, que faz trabalhos para design, arquitetura e pintura, deixa entrever em suas obras traços peculiares que revelam a sua identidade, como o uso de tintas com tons terrosos, o equilíbrio e disposição dos objetos, ícones recorrentes nas telas e o desenho medido e meticuloso, mostrando a proximidade com a arquitetura.

Trabalhos para decoração, design, arquitetura e pintura são algumas das multifacetas da arte bem desenvolvidas pelas mãos de Sérgio Ramos, mas é com as telas que ele melhor revela sua identidade.

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, em Arquitetura e Urbanismo, conseguiu sua primeira exposição ainda como estudante, em 1988, no espaço do Cineclube cedido pela universidade.

Dentre outros prêmios, o artista lembra de um que ganhou, pela categoria Artes Plásticas, em Nova York. "Nesse prêmio eram mais de 5000 concorrentes. Eu trabalhei com tinta pra tecido em material reciclado". Com uma semana em NY, o pintor ficou feliz em visitar museus e galerias na cidade.

O estilo peculiar de Sérgio Ramos imprime em suas obras a possibilidade de a reconhecermos mesmo antes de ver a assinatura. O uso de tintas com tons terrosos, o equilíbrio e disposição dos objetos, ícones recorrentes nas telas, o desenho medido e meticuloso, tudo nos revela a identidade desse artista que consegue relacionar tão bem as artes plásticas com a arquitetura

Em entrevista cedida ao JNT, Sérgio fala um pouco de seu modo de trabalhar:

JNT: Sua mãe também pinta. Você teve influência dela para começar a desenvolver seus trabalhos?

SR: Minha mãe já pintou muito. Hoje, insisto pra ela voltar a pintar. O estímulo da família é que foi muito importante pra mim. Toda criança tem o hábito de desenhar. Se os pais acabam notando uma tendência na música, pintura, escultura eles devem incentivar os filhos.

JNT: Arte é criar ou recriar?

SR: Um amigo meu diz que vivemos na era dos "ismos", dadaísmo, expressionismo, futurismo. Nós estamos tão cercados de influências por todos os lados que isso acaba refletindo no nosso trabalho. Dentro daquilo que já existe, o artista deve criar seu próprio estilo.

JNT: Qual a influência da religiosidade em suas obras?

SR: Eu tenho alguns quadros com peixes, São Francisco de Assis, anjos. Recebi muita influência em São João Del Rei (MG) onde eu mantive uma loja durante um ano. Eu gosto de trabalhar com a simbologia, os mitos. Tenho estudado a metafísica onde os personagens estão na cena, mas olham pra outra dimensão.

JNT: O que Inspira Sérgio Ramos?

SR: Eu fico fechado e escolho exatamente o que vai me inspirar. Tenho lido muito Fernando Pessoa, depois de ler "O ano da morte de Ricardo Reis", de José Saramago. Para buscar inspiração procuro ficar sozinho, no silêncio. Quando o artista se incomoda com a solidão é a hora em que ele cria. Mas, enquanto estou trabalhando, não gosto de ficar totalmente isolado, escuto uma música, fico perto de meus filhos.

Autor : Cristiano Sávio - Correspondente em Minas Gerais
Fonte : Jornal Novas Técnicas 11/11/2006

COMENTÁRIOS:

Simplesmente maravilhoso o seu trabalho. Eu sempre digo que o verdadeiro artista plástico já nasce com esse dom. Ninguém forma um artista plástico e você nasceu com o dom das tintas. Parabéns pelas suas telas. Formas, cores, movimento, tudo em perfeita harmonia. Vou solicitar dos meus alunos de desenho e pintura (curso de extensão da UFPE) que visitem o seu site. Abraços, Rui Cruz Pacheco.

Sobre o projeto “Pipas” exposição em S.J.D.R. 2006

O princípio lúdico é sempre muito cativante enquanto objeto de estudo sobre alguns temas do cotidiano. Nas infâncias e em suas reminiscências, esses objetos corriqueiros nos proporcionam uma memória, talvez uma história a ser contada, nesse caso, a ser pintada! Pode até parecer um tema desgastado, mas essas histórias ainda proporcionam poesia nesse nosso espaço-tempo contemporâneo globalizadamente industrial. É o conceito de objeto gestalt, é a síntese dos primeiros pensamentos que se traduzem em imagens: bicicletas, varais, vasos, cadeiras, casas, brinquedos, oriflames, mesas, peixes, bules, guarda-chuvas, garrafas, portas, dirigíveis, bandeiras, gatos, sobrados, vasos, pássaros, crianças, ilhas, torres, caixas, rodas, janelas, alaúdes, regadores, telhados, xícaras, carrinhos de mão, conchas, trevos, palafitas, tambores, submarinos, escadas, árvores, luas, gramofones,óculos, relógios, livros, brinquedos, igrejas, poetas, faróis, homens-peixes, campanários, linhas de trem, livros, flautistas, aviões de papel, peixes-voadores, mergulhadores, vilas submersas, fábulas, istmos, observatórios, cartas raras, bondes, águas, plataformas, máscaras, folguedos, almas, cerâmicas, quintais, reisados, pontes, domingos, toadas, longitudes, teatros, astrolábios...

Utilizando a técnica do desenho à mão que foi posteriormente digitalizado e plotado sobre um céu (que por coincidência é uma foto de um céu de tarde de São João del Rei), que inseri esses desenhos-objetos-lúdicos como parte “aerodinâmica” dessas pipas, que nos contam um pouco mais sobre essas velhas-recentes histórias.

Sérgio Ramos, Maio 2006

Da Série Koans:

imagens que se projetam na tela mental, no estado hipnagógico, que se interagem e plasmam certas cenas dentro de uma repetição mecânica.
essas pinturas-não-pinturas metaforizam a essência de um koan que é uma frase enigmática que tem como objetivo propor um problema à mente que ela não consegue resolver.
aparentemente sem sentido ou incompreensível, um koan discute a ambiguidade básica da humanidade num mosaico de referências filosóficas e históricas.


"Quem é aquele que está só no meio de dez mil coisas?"


na mente uma sucessão de pensamentos, vozes e imagens, sucessão de conversas sempre repetindo a mesma canção psicológica, falas, atos, etc.
silenciar a mente.
pensem
pensa mentes
prensamentes
esse "calar a mente" induz uma volta ao centro.

"Se tudo se reduz à unidade, a que se reduz a unidade?"

sérgio ramos junho 2007

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